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domingo, 15 de agosto de 2010

Veja o que muda na sua vida com a nova Política Nacional dos Resíduos Sólidos

Por Rogério Ferro, do Instituto Akatu

A chamada “Lei do Lixo” foi sancionada dia 2 de agosto pelo presidente Lula e deve começar a valer em até 90 dias

[...]

Segundo a Agência Senado, o principal alvo do projeto é “um dos mais sérios problemas do país, que é a ausência de regras para tratamento das 150 mil toneladas de lixo produzidas diariamente nas cidades brasileiras”.

De acordo com dados que embasaram o projeto, do lixo produzido no Brasil, 59% vão para os "lixões". Apenas 13% do lixo têm destinação correta, em aterros sanitários. Dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 405 tinham serviço de coleta seletiva em 2008.

O projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados em 1989 e só começou a ser analisado em 1991. Só neste ano, foi aprovado e enviado ao Senado, onde passou pelas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE), Assuntos Sociais (CAS) e Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), antes da aprovação em plenário.

“Estamos vivendo um momento histórico. Este projeto mostra a importância do meio ambiente e procura resolver o maior problema ambiental do país hoje que é esta questão dos resíduos sólidos”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que acompanhou a votação.

Para o senador César Borges (PR-BA), relator do projeto no Senado, o objetivo da proposta é reduzir a geração de resíduos, incentivar a reciclagem e determinar o que fazer com o lixo remanescente.

“Hoje você tem legislações diversas nos estados e nos municípios. Agora, teremos diretrizes gerais para disciplinar o manejo”, afirmou.

André Vilhena, diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), declarou que a proposta é um ganho para o país, pois, está de acordo com os anseios da população brasileira.

O executivo se mostrou otimista em relação à implementação da lei. “Boa parte das medidas já se verificam no Brasil. Existem, por exemplo, empresas proativas que já fazem a logística reversa. A tendência agora é vermos uma massificação dessa tendência”.

O que muda com a nova lei
Em geral, o projeto estabelece a “responsabilidade compartilhada” entre governo, indústria, comércio e consumidor final no gerenciamento e na gestão dos resíduos sólidos.

As normas e sanções previstas em caso do descumprimento da lei aplicam-se às pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos.

Consumidores
- Pela lógica da “responsabilidade compartilhada”, os consumidores finais estão também responsabilizados e terão de acondicionar de forma adequada seu lixo para a coleta, inclusive fazendo a separação onde houver coleta seletiva;

- Os consumidores são proibidos de descartar resíduos sólidos em praias, no mar, em rios e em lagos.

Poder público
- Depois de sancionada a lei pelo Presidente da República, os municípios terão um prazo de quatro anos para fazer um plano de manejo dos resíduos sólidos em conformidade com as novas diretrizes;

- Todas as entidades estão proibidas de manter ou criar lixões. As prefeituras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente, onde só poderão ser depositados os resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento ou compostagem;

- A União, os Estados e os municípios são obrigados a elaborar planos para tratar de resíduos sólidos, estabelecendo metas e programas de reciclagem;

- Os municípios só receberão dinheiro do governo federal para projetos de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos depois de aprovarem planos de gestão;

- Os consórcios intermunicipais para a área de lixo terão prioridade no financiamento federal;

- O texto trata também da possibilidade de incineração de lixo para evitar o acúmulo de resíduos.

Indústria e comércio
A nova lei cria a “logística reversa”, que obriga fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores a criar mecanismos para recolher as embalagens após o uso. A medida valeria para o setor de agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, eletroeletrônicos e para todos os tipos de lâmpadas.

- Depois de usados pelo consumidor final, os itens acima mencionados, além dos produtos eletroeletrônicos e seus componentes, deverão retornar para as empresas, que darão a destinação ambiental adequada.

Cooperativas e associações de catadores e de reciclagem

- O projeto prevê que o poder público incentive as atividades de cooperativas e associações de catadores de resíduos recicláveis e entidades de reciclagem, por meio de linhas de financiamento;

- As embalagens de produtos fabricados em território nacional deverão ser confeccionadas a partir de materiais que propiciem sua reutilização ou reciclagem para viabilizar ainda mais os profissionais de coleta seletiva e reciclagem;

Proibições gerais e sanções
A lei proíbe:

- Importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos;

- Lançamento de resíduos sólidos em praias, no mar, em rios e lagos;

- Lançamento de resíduos in natura a céu aberto;

- A queima de lixo a céu aberto ou em instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade.

O infrator que desrespeitar a lei cometerá crime federal, que prevê pena máxima de cinco anos de reclusão e multa, de acordo com as sanções previstas para crimes ambientais relacionados à poluição. A pena, no entanto, não se aplica no caso do lixo doméstico.

Fonte: http://www.akatu.org.br/central/especiais/2010/senado-aprova-politica-nacional-dos-residuos-solidos-1

sábado, 26 de junho de 2010

Vitrine virtual mostra opções para construção sustentável

Portal expõe mais de 300 produtos de menor impacto ambiental, entre móveis, decoração e soluções de hidráulica, cobertura, iluminação e saneamento; fabricantes podem aderir

Por Rogério Ferro, do Instituto Akatu

Engenheiros, arquitetos e quem está construindo, vai construir ou até mesmo fazer uma reforma, já contam com uma nova ferramenta para tornar seus projetos mais sustentáveis: o portal “Construção Eficiente". Lançado na sexta-feira (18/6), o site é uma espécie de vitrine virtual, em que fabricantes e fornecedores da indústria da construção civil expõem produtos inovadores sob o ponto de vista de preservação ambiental.

O portal já conta com mais de 300 itens de 90 fabricantes, todos já disponíveis no mercado. Sistemas hidráulicos que permitem o reaproveitamento de água, aquecedores solares para residências, composteiras domésticas e tijolos construídos a partir de resíduos estão entre os produtos listados.

“O portal se destina principalmente a engenheiros e arquitetos porque são eles que tomam as decisões quanto aos produtos a serem usados em uma construção”, diz Karina de Souza, sócia da Rudra Tecnologias Sustentáveis, empresa que desenvolveu o portal. “Mas também há pessoas que estão construindo e têm interesse em fazê-lo de forma ecoeficiente. O ‘Construção Eficiente’ é uma ferramenta que atende a todos eles.”

Empresas fabricantes interessadas em anunciar seus produtos devem fazer um cadastro e pagar o valor referente ao plano escolhido. Já para os compradores, o site permite selecionar diversas opções de produtos, solicitar e comparar orçamentos gratuitamente.

Segundo Karina, o fato de a indústria de construção civil ser uma das que mais causam prejuízos ambientais tem incentivado o surgimento de várias empresas inovadoras que buscam soluções mais ecológicas para o setor. “Entretanto, ainda faltam comunicação e comercialização eficientes entre quem fabrica e quem consome esses produtos. O portal surge para facilitar essa comunicação.”

Para Fábio Yukio Pecora, arquiteto da Prime Arquitetura, uma empresa que oferece soluções arquitetônicas para escritórios e residências, a preferência por esse tipo de material é uma tendência irreversível e que futuramente vai predominar no mercado. “Isso hoje não acontece porque os preços ainda não são competitivos, mas essas iniciativas trazem um volume de mercado maior para esses produtos, tornando-os mais populares.”

“Toda iniciativa que buscar soluções mais sustentáveis para qualquer que seja o setor de atividade é bem vinda. Entretanto, qualquer processo de consumo tem impactos sobre o meio ambiente e sobre a sociedade. Mas é possível buscar e fazer com que esse impacto seja o mínimo possível, seja qual for o setor de atividade”, comenta Ricardo Oliani, coordenador de Mobilização Comunitária do Instituto Akatu.

Fonte: http://www.akatu.org.br/central/noticias/2010/vitrine-virtual-mostra-opcoes-para-construcao-sustentavel

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Caatinga na era do crédito de carbono

 

   O mercado de crédito de carbono, que negocia a redução de gases do efeito estufa na atmosfera, chegou ao Semiárido. No lugar de caatinga, cerâmica do Sertão usa lenha de manejo florestal, bagaço de cana, casca de babaçu, pó de serra e restos de poda de árvores para cozer telhas e tijolos. A substituição permitiu a venda, este ano, de 114 mil créditos ao Banco Mundial (Bird). Cada crédito equivale a uma tonelada de carbono que teve emissão evitada. O negócio rendeu à Cerâmica Gomes de Matos, no Crato (CE), US$ 684 mil. Por enquanto a negociação é feita no mercado paralelo. Também chamado de carbono social ou mercado voluntário de carbono, não atende todos os pré-requisitos do Protocolo de Kyoto, mas é reconhecido pela ONU. No paralelo um crédito custa US$ 6. Antes de entrar no mercado de carbono, a cerâmica aquecia fornos com lenha de desmatamento da caatinga, coque de petróleo e óleo BPF.Passamos a usar lenha de plano de manejo florestal e incorporamos outros tipos de biomassa, todos renováveis.Para o industrial, a busca pela eficiência energética mostrou que conservação ambiental é compatível com desenvolvimento.Ou seja, proteger o meio ambiente dá dinheiro, pois se compra conta um metro de lenha por R$ 28. O metro de qual se  fala é o estéreo. Equivalente a um metro cúbico não compacto de lenha, a unidade de medida leva em conta espaços vazios entre toras.
   No  ano de 2008 a empresa resolveu triturar torrões de argila no lugar de molhá-los por dois dias seguidos até que amolecessem o suficiente para moldar-se à forma de tijolos e telhas. O bombeamento da água correspondia ao maior consumo de eletricidade da fábrica; Agora os torrões passam por triturador projetado com dicas do empresário e movido a pó de serra. A medida resultou na redução à metade no valor da conta da Companhia Energética do Ceará (Coelce). Já por queimar restos de poda, os irmãos Gomes de Matos vendem créditos não de carbono, mas de metano. É que os troncos das árvores cortadas pela prefeitura do Crato antes apodreciam no lixão da cidade, no Cariri cearense, gerando gás metano. O crédito de metano é ainda mais valorizado. Uma tonelada é vendida a R$20. As operações de carbono da cerâmica cearense são feitas pela consultoria Carbono Social, de São Paulo.
   A consultora Sílvia Cruz explica que o crédito no mercado voluntário custa menos, mas o processo anda mais rápido. O valor de um crédito em projetos aprovados pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que no Brasil é regulado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia alcança o dobro.

Fonte: http://www.yousol.com/j